Momo e o Senhor do Tempo

Momo e o Senhor do Tempo

ou

a extraordinária história dos ladrões de tempo e da criança que trouxe de volta às pessoas o tempo roubado. Um conto- romance

Tradução: Mônica Stahel

Martins Fontes: SP, 1996

Michael Ende 

(Em algumas edições antigas levava o nome de “Malu, a menina que sabia ouvir)

Michael Ende apresenta Momo, uma garota que morava num anfiteatro em ruínas, não se preocupava com aparência e tinha prazer em conversar com as pessoas, todos que aproximavam de Momo sentia bem ao ouvir suas histórias e Momo tinha o dom de escutar a todos com bastante atenção e calma. Muitas crianças visitavam Momo para brincarem, mas seus melhores amigos eram o guia Gigi (jovem tagarela) e o velho (calado) Beppo Varredor.

Passagem pág. 5 

“ De fato, a aparência de Momo era meio estranha e poderia escandalizar alguém que fizesse muita questão de ordem e limpeza. Ela era baixinha e magrinhas, de modo que era impossível dizer ao certo se tinha apenas oito anos ou já estava com doze. Seu cabelo preto, de cachos desgrenhados, parecia nunca ter visto tesoura ou pente. Tinha olhos grandes e muito bonitos, pretos como piche, e seus pés eram quase da mesma cor, pois ela andava descalça. Às vezes no inverno, calçava sapatos, mas eram grandes demais e um pé diferente do outro. Isso acontecia porque nada do que Momo tinha era comprado ou feito especialmente para ela, eram coisas usadas que achava ou que alguém lhe dava. Sua saia, comprida até o tornozelo, era uma mistura de retalhos de carias cores, costurados uns aos outros. Por cima de tudo ela usava um paletó de homem grande demais, com mangas enroladas…”

 

Mas outras crianças gostavam muito de brincar com Momo, não sabiam bem o porque, mas apenas a presença de Momo já as faziam felizes.

Todos que visitavam Momo ficavam apreciando as estrelas, o brilho da lua prateada e essas coisinhas simples que tem no nosso dia a dia.

Passagem pág 53 

“Existe um mistério muito grande que, no entanto, faz parte do dia-a-dia. Todos os seres humanos participam dele, embora muito poucos reflitam sobre ele. A maioria simplesmente o aceita, sem mais indagações. Esse mistério é o tempo…existem calendários e relógios que medem o tempo… tempo é vida. E a vida mora no coração.”

Os homens cinzentos eram poupadores de tempo, trabalhavam para a Caixa Econômica do Tempo, vestiam ternos cinzas, usavam maletas (para guardarem o tempo) e fumavam cachimbo, eram gélidos, por onde passavam tudo ficava frio. Tinham muita lábia e sabia conquistar mais clientes para pouparem tempo. Assim foram conquistando cada vez mais pessoas, e as pessoas só pensavam em economizar tempo para depositarem para o futuro, assim viveriam mais pois teriam o tempo economizado, mas para economizar esse tempo elas tinham que realizar várias funções ao mesmo tempo e atitudes como visitar os amigos, contemplar a natureza, as estrelas, a lua, cuidar de animais de estimação foram concebidas pelos homens cinzentos como perda de tempo.

Dessa forma as pessoas foram deixando de lado essas coisas e trabalhando cada vez mais rápido para terminar mais rápido com a finalidade de pouparem tempo. Assim não visitavam os amigos e foram se sentindo sozinhas e tristes.

Momo se viu sozinha, até mesmo Gigi e Beppo a deixaram por chantagem dos homens cinzentos. Os homens cinzentos certa vez, ofereceram um brinquedo para Momo tentando comprá-la como mais uma cliente para eles, mas ela não viu graça nenhuma na boneca, afinal a boneca falava apenas uma frase e a repetia a todo momento, Momo queria uma boneca para brincar que dialogasse com ela e não apenas repetisse monotonamente a mesma coisa. Os homens cinzentos ficaram com raiva de Momo, por não a terem como cliente e chantagearam seus amigos a fazerem parte da tropa deles.

Momo ficou muito sozinha, e queria uma explicação por seus amigos terem sumidos do anfiteatro. Foi então que Momo encontrou a tartaruga Cassiopéia que a levou até o Mestre-Hora. Mestre Hora era o senhor das horas, ele que distribuía o tempo para todos os seres humanos, mas os homens cinzentos estavam atrapalhando a função dele, e com ajuda de Momo conseguiu que ela, juntamente com a rosa do tempo destruísse todos os homens cinzentos e o tempo fosse devolvido a todos aqueles que o tiveram roubados pelos homens cinzentos. Assim, Momo recuperou sua tranqüilidade e seus amigos novamente. 

Passagem pág. 235 ( a respeito da doença da pessoa que fica sem tempo)

“ No começo, mal dá para perceber. Um belo dia a pessoa não tem mais vontade de fazer nada. Nada lhe interessa, tudo a aborrece. Mas essa falta de vontade não desaparece, pelo contrário, aumenta a cada dia…”

Sem página anotada:

“Assim como vocês têm olhos para enxergar a luz, ouvidos para ouvir sons, também têm um coração para perceber o tempo. Todo o tempo que não é percebido pelo coração é tão desperdiçado quanto seriam as cores do arco-íris para um cego ou o canto de um pássaro para um surdo”.

Posfácio do Autor:

“Talvez alguns de meus leitores tenham muitas perguntas em seu coração. Mas temo que não poderei ajudá-los. Devo confessar que escrevi esta história unicamente de memória, tal como me foi contada. Não conheci Momo nem seus amigos pessoalmente. Nem sei o que lhes aconteceu depois e como estão hoje. Quanto à grande cidade (a qual Momo habitava), só posso fazer suposições.
A única coisa que posso acrescentar é o seguinte:
Eu estava fazendo uma longa viagem (aliás, ainda estou), quando certa noite compartilhei a cabine de um trem com um passageiro muito estranho. Estranho no sentido de que eu não conseguia avaliar sua idade. No inpicio, achei que estava sentado diante de um velho. Logo vi, no entanto, que havia me enganado, pois meu companheito de viagem pareceu-me, de repente, muito jovem. Também essa impressão revelou-se falsa.
Seja como for, ele me contou toda esta história durante a longa viagem.
Quando terminou, nós dois ficamos em silêncio por alguns momentos. Então o passageiro enigmático acrescentou mais uma frase, que não posso deixar de transmitir aos leitores.
‘Contei-lhe essa história’, disse ele, ‘como se já tivesse acontecido. Mas também poderia ter contado como se fosse aocntecer no futuro. Para mim, não há muita diferença.’
Ele deve ter descido na estação seguinte, pois depois de alguns momentos percebi que estava sozinho na cabine. Infelizmente, não mais o encontrei.
Mas, se algum dia voltasse a encontrá-lo, gostaria de lhe fazer muitas perguntas.

Breve Análise, por Monica Anjos

Bom, ao término desta leitura, que ao autor diz ser um romance fabuloso, pois não é totalmente uma fábula e nem totalmente um romance, então ele descreve como romance fabuloso, fico intrigada com o tempo. Michael Ende fez um trabalho excelente, conseguiu aliar a realidade com o imaginário de forma que nós, leitores ficamos nos perguntando se Momo não está entre nós neste momento, chegando a sentir medo dos homens cinzentos. Os homens cinzentos estão por toda parte, roubam nosso tempo a todo momento. Os homens cinzentos está no capitalismo que nos devora, essa necessidade de trabalhar, de dobrar o turno, de guardar o dinheiro, de pensar no futuro. Muitos trabalham sem parar hoje para garantirem o futuro de seus filhos, mas os filhos farão o que com o tempo que lhes sobrarem? Certamente vão trabalhar para garantir o futuro dos seus herdeiros e assim por diante. Dessa forma os homens cinzentos estão felizes, pois as pessoas e o sistema que estamos inseridos não permite que façamos longas visitas aos amigos, não permite que a pessoa contemple o sol, o céu, a lua, as estrelas, as cores das borboletas. Muita gente passa por uma rua, o caminho de seu trabalho talvez, e não tem tempo de reparar detalhes como uma árvore florida, é o cego que enxerga, está a sua frente mas é incapaz de ver pois sempre está atrasado. O tempo controla o homem, e não mais o homem controla o seu tempo. Momo ainda não passou por aqui com sua rosa do tempo para desmanchar os homens cinzentos…Os homens cinzentos estão se multiplicando mas ninguém é capaz de ver, pois ao menos tem tempo para perceber que coisas importantes e simples da vida estão ficando para trás, dando espaço para depressões, obesidades e suicídios.

 Posso e devo relacionar a literatura Momo e o Senhor do Tempo com a música “Rolex (Dado Dolabella)”

Composição: Eduardo Luca

Por cima da ponte como pássaros
Cruzando florestas, rios e vales sombrios
Poderes mágicos eu vou transformar
Você e eu nesse lugar podemos ser o que quiser

Com suas lágrimas pinto uma árvore
De chocolate grande até o céu para subir
Do último andar faço uma casa pra nós
E vejo as nuvens chegarem da janela pra conversar

Papai quero fazer um sol do seu grande Rolex
Pra poder ver o dia mais claro, relax
Quero fazer um sol do seu grande Rolex
Pra poder ver o dia mais claro, relax

Sexagenários dançam neste lugar
E sons imaginários tocam sinos no ar
Danço um galope, um outro toque, ou rock
A condução, é ter ação, ou não… Na imaginação

A lua nos conta histórias pra dormir
E os coroinhas no altar não tem o que pedir
Os bichos de par em par ensaiam quadrilha
O saci e uma velhinha brincam juntos de amarelinha
Porque ninguém lá tem uma idade
As pessoas só nascem, todos nascem e só nascem…
Duendes e fadas organizam um baile
Não existe cansaço e dormem só pelo prazer de sonhar

Papai quero fazer um sol do seu grande Rolex
Pra poder ver o dia mais claro, relax
Quero fazer um sol do seu grande Rolex
Pra poder ver o dia mais claro, relax

Sexagenários dançam nesse lugar
E sons imaginários tocam sinos no ar
Danço um galope, um outro toque, ou rock
A condução, é ter ação, ou não… Na imaginação

Papai quero fazer um sol do seu grande Rolex
Pra poder ver o dia mais claro, relax
Quero fazer um sol do seu grande Rolex
Pra poder ver o dia mais claro, relax 

Acho linda a letra dessa música, que o filho quer fazer do relógio do pai (o relógio de marca ROLEX) um sol, pois assim poderia ver o dia mais claro, ficar relaxado. O filho quer atenção do pai que só se preocupa com o tempo…

Posso e devo também relacionar o livro Momo e o Senhor do Tempo com o filme “Click”, veja sinopse:

  • Sinopse

Michael Newman (Adam Sandler) é um arquiteto workaholic que descobre um controle remoto universal. Em vez de controlar objetos eletrônicos, o objeto é capaz de controlar as situações em sua vida. Os problemas acontecem quando o objeto começa a controlar também as escolhas de Michael.

Neste filme, o ator principal nunca tem tempo para os filhos e a esposa, pois trabalha muito, então ele é seduzido a comprar um controle remoto universal que é capaz de ligar a TV, abrir a garagem, desligar a lâmpada e também a controlar o seu tempo. Dessa forma ele pode acelerar o seu tempo e terminar suas atividade mais rapidamente, o protagonista do filme fica ludibriado e começa a passar os momentos de sua vida bem rápidos para terminar suas obrigações cada vez mais depressa, se vê surpreso quando percebe que sua filha está se casando e que seu filho cresceu e agora trabalha na sua empresa e vive a mesma fadiga que ele vivia quando jovem, só pensando em trabalho. Arrepende de tudo, de ter adquirido o controle remoto e não ter vivido momentos bons com sua família. Filme emocionante que ilustra bem a questão do tempo, assim como o livro Momo e a música Rolex.

Biografia de Michael Ende

Filho do pintor surrealista Edgar Ende, era alemão, nasceu em 12 de Novembro de 1929 e morreu de câncer no estômago em 28 de Agosto de 1995.
Ele era um dos mais populares e famosos autores do século 20, principalmente pelo sucesso de seus livros infantis. Entretanto, Ende não era apenas um autor dedicado às crianças, tendo também escrito livros para adultos. Ele dizia: “É pela criança que existe em mim e em todos nós que eu conto minhas histórias e meus livros são para crianças de 8 a 80 anos”. Seus livros podem ser descritos como uma mistura de realidade com fantasia. O leitor é frequentemente convidado a interagir com a história e os mundos de seus livros costumam espelhar a realidade, usando a fantasia para trazer luz aos problemas da sociedade moderna.
Die unendliche Geschichte ( A História Sem Fim) é o livro de Ende mais conhecido.
Outros livros mais divulgados são Momo (Momo e o Senhor do Tempo) e Jim Knopf und Lukas der Lokomotivführer (Jim Knopf e Lucas, O Maquinista).
Seus trabalhos já foram traduzidos para mais de 40 línguas e venderam mais de 20 milhões de cópias, sendo muitas obras adaptadas para filme, peça de teatro e ópera. Fonte da biografia: http://en.wikipedia.org/wiki/Michael_Ende

2 Respostas to “Momo e o Senhor do Tempo”

  1. Maxiley Says:

    O livro parece ser bom,mas não entendi por que a menina chama MOMO.

  2. Desafio # 6 – Livro favorito « Mil rabiscos Says:

    […] como infanto-juvenil. E eu simplesmente me apaixonei por ele!! É muito lindo! O nome dele é Momo e o senhor do tempo, de Michael Ende ( o mesmo que escreveu o História sem fim, que virou filme na década de 80). […]

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